
O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, é hoje um dos tumores mais incidentes no mundo e no Brasil.
Apesar disso, ainda é uma doença marcada por atrasos diagnósticos, subvalorização de sintomas e decisões iniciais que poderiam ser diferentes se o caso fosse avaliado de forma mais estruturada desde o início.
Qual é o médico do câncer de intestino?
Ao longo de quase 10 anos de atuação nos dois maiores centros oncológicos do país — o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a maior clínica oncológica privada da América Latina — acompanhei de perto a evolução do diagnóstico e do tratamento do câncer colorretal. E, principalmente, vi como as decisões tomadas nas primeiras etapas impactam diretamente o prognóstico e as possibilidades terapêuticas.
O câncer de intestino é uma doença complexa, que exige decisões corretas desde o início. Por isso, o acompanhamento por um oncologista clínico com vasta experiência em oncologia gastrointestinal faz diferença já na fase de investigação — e não apenas após o diagnóstico definitivo.
Sou Dra. Fernanda Telles, oncologista clínica com vasta experiência no tratamento do câncer de intestino, adquirida ao longo de quase 10 anos de atuação nos dois maiores centros oncológicos do país:
- o Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- e a maior clínica oncológica privada da América Latina
Nesse período, acompanhei centenas de pacientes com câncer colorretal, em diferentes estágios da doença — desde casos iniciais até cenários avançados e metastáticos — sempre com foco em planejamento diagnóstico cuidadoso, discussão multidisciplinar e decisões terapêuticas alinhadas às diretrizes mais atuais.
Por que o câncer de intestino merece atenção?
O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes em homens e mulheres. Alguns pontos merecem destaque:
- A incidência vem aumentando, especialmente em países em desenvolvimento
- A mortalidade vem diminuindo, reflexo de diagnóstico mais precoce e avanços terapêuticos
- Há um aumento preocupante da incidência em pessoas jovens, muitas vezes abaixo dos 50 anos
Esse novo perfil epidemiológico exige maior atenção clínica, inclusive fora dos grupos clássicos de risco.
Cólon direito e cólon esquerdo: não são a mesma doença

Embora frequentemente agrupados, os tumores do cólon direito e do cólon esquerdo apresentam diferenças importantes do ponto de vista clínico, biológico e prognóstico.
Câncer de cólon direito
- Sintomas mais inespecíficos
- Anemia e cansaço como apresentações comuns
- Diagnóstico geralmente mais tardio
- Maior associação com instabilidade de microssatélites (MSI)
- Prognóstico menos favorável em estágios avançados
Câncer de cólon esquerdo e reto
- Sintomas mais evidentes:
- alteração do hábito intestinal
- sangramento
- dor abdominal
- Diagnóstico tende a ser mais precoce
- Melhor resposta a algumas estratégias terapêuticas
- Prognóstico, em geral, mais favorável
Reconhecer essas diferenças é essencial para planejar corretamente o tratamento.
Aumento da incidência em jovens: um sinal de alerta
Cada vez mais, o câncer de intestino tem sido diagnosticado em pacientes jovens, muitas vezes sem histórico familiar conhecido ou fatores de risco clássicos.
Isso traz desafios importantes:
- menor suspeição clínica inicial
- atrasos na investigação
- diagnósticos em fases mais avançadas
Sintomas persistentes não devem ser banalizados, independentemente da idade.
Dificuldades no diagnóstico: um problema real na prática clínica
Na prática, recebo com frequência pacientes que:
- já realizaram 2 ou até 3 colonoscopias
- tiveram exames incompletos ou mal interpretados
- passaram por biópsias sem material adequado
- sofreram atrasos significativos no início do tratamento
Uma colonoscopia mal conduzida ou uma biópsia inadequada pode atrasar todo o processo terapêutico.
Planejar corretamente a investigação desde o início faz diferença.
A importância do material adequado: IHQ, biomarcadores e análises moleculares
Hoje, o tratamento do câncer colorretal vai muito além do diagnóstico histológico simples. É fundamental garantir material suficiente para:
- imuno-histoquímica (IHQ)
- avaliação de instabilidade de microssatélites (MSI)
- biomarcadores como:
- RAS
- BRAF
- HER2
Essas análises orientam decisões terapêuticas segundo diretrizes da SBOC e da NCCN, impactando diretamente a escolha do tratamento e o prognóstico.
Principais tratamentos do câncer de intestino
O tratamento é sempre individualizado e pode incluir:
- cirurgia
- quimioterapia
- terapias-alvo
- imunoterapia (em subgrupos específicos)
A escolha depende da localização do tumor, estágio da doença, perfil molecular e condições clínicas do paciente.
Não existe tratamento padrão único. Existe tratamento adequado para cada cenário.
Metástases e possibilidade de cura
Os principais sítios de metástase são:
- fígado
- pulmão
- peritônio
O câncer colorretal é um dos poucos tumores sólidos em que, mesmo na presença de metástases, a cura ainda pode ser possível em casos selecionados, desde que:
- as metástases sejam limitadas
- exista possibilidade de ressecção
- o caso seja avaliado por equipe especializada desde o diagnóstico
A definição correta da estratégia inicial é decisiva.
Prevenção: o que está ao nosso alcance?
Medidas associadas à redução de risco incluem:
- prática regular de atividade física
- alimentação rica em fibras, frutas e vegetais
- redução de carnes processadas
- controle do peso
- evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool
Além disso, é fundamental atenção a síndromes genéticas, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar, nas quais o rastreamento muda completamente o prognóstico.
Tratamentos promissores e avanços recentes
A oncologia do câncer colorretal evoluiu significativamente:
- novas combinações terapêuticas
- terapias-alvo mais eficazes
- imunoterapia em subgrupos
- maior integração entre cirurgia, oncologia clínica e radiologia intervencionista
Esses avanços explicam a redução progressiva da mortalidade, mesmo diante do aumento da incidência.
Como posso ajudar?
Meu trabalho como oncologista clínica envolve acompanhar o paciente desde a suspeita diagnóstica, ajudando a:
- organizar a investigação
- planejar exames e biópsias
- interpretar exames de forma integrada
- definir condutas alinhadas às diretrizes mais atuais
A consulta não é apenas sobre tratar.
É sobre organizar o caminho certo desde o início.
Uma mensagem final
O câncer de intestino é uma doença complexa, mas cada vez mais tratável quando diagnosticado e conduzido de forma adequada.
A ciência avança, os tratamentos evoluem e, em muitos casos, há possibilidade real de controle prolongado e até cura, mesmo em cenários avançados.
Informação, planejamento e acompanhamento especializado fazem diferença — desde o primeiro passo.
