Dra. Fernanda Telles – Oncologia Clínica, Praia de Botafogo, Rio de Janeiro – RJ

Câncer Cerebral

Receber a informação de que existe um nódulo no cérebro gera, naturalmente, medo e muitas dúvidas.
Mas é fundamental entender um ponto essencial, de forma clara e sem alarmismo:

Nem todo nódulo cerebral é câncer cerebral.
E, quando falamos em câncer no cérebro, nem sempre ele começou no cérebro.

De forma geral, na prática clínica:

  • A maioria das lesões cerebrais malignas em adultos são vindas de outros órgãos
  • Uma parcela menor corresponde a tumores primários do cérebro
  • Na maioria dos casos, os tumores são benignos, que não são câncer

Em linguagem simples:
O cérebro pode ter lesões benignas, tumores malignos que nasceram ali, ou tumores que vieram de outro local do corpo.

Ou seja: encontrar um nódulo no cérebro não significa automaticamente um diagnóstico de câncer agressivo.

O primeiro passo é entender a origem dessa lesão com avaliação especializada e estratégia diagnóstica adequada desde o início.

Qual é o médico que trata câncer cerebral?

O tratamento de Câncer Cerebral exige atuação conjunta, mas o oncologista clínico tem papel central desde o início da investigação — muitas vezes antes mesmo da cirurgia.

Sou a Dra. Fernanda Telles, médica oncologista com vasta experiência em oncologia torácica, gastrointestinal e tumores do sistema nervoso central.

Minha formação e atuação incluem:

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  • Atuação em um dos maiores centros oncológicos privados da América Latina
  • Experiência em tumores cerebrais no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (RJ)
  • Quase 10 anos acompanhando pacientes oncológicos complexos desde o diagnóstico

Além disso, tive experiência em pulmão ao lado de um dos maiores especialistas do mundo na área, o que reforça minha visão integrada — especialmente importante quando há suspeita de metástase cerebral.

Na prática, meu papel com o Câncer Cerebral começa antes da cirurgia, ajudando a responder perguntas fundamentais:

  • Essa lesão é primária do cérebro ou metástase?
  • Existe necessidade de cirurgia imediata?
  • A cirurgia é realmente necessária?
  • Qual o melhor tipo de ressecção?
  • Que análises moleculares precisam ser solicitadas na cirurgia?

Uma decisão inicial inadequada pode impactar todo o tratamento.

O que significa “tumor primário” do cérebro?

Tumor primário é aquele que se origina no próprio cérebro, e não veio de outro órgão, na maior parte das vezes são Gliomas.

Isso é diferente das metástases cerebrais, que acontecem quando um câncer do corpo (como pulmão, mama ou rim) se espalha para o cérebro.

Essa distinção é essencial porque:

  • O tratamento é completamente diferente
  • O prognóstico é diferente
  • A estratégia cirúrgica muda
  • A necessidade de tratamento sistêmico também muda

Por isso, a avaliação oncológica especializada deve acontecer antes de qualquer intervenção.

Metástases cerebrais: comuns na prática clínica

A maioria dos casos de Câncer Cerebral, são lesões malignas cerebrais não nascem no cérebro. Elas chegam até ele.

Os tumores que mais causam metástases cerebrais são:

  1. Câncer de pulmão
  2. Câncer de mama
  3. Melanoma
  4. Câncer renal
  5. Câncer colorretal

Em linguagem simples: se é metástase, significa que a doença já circulou pelo corpo.


Por isso, muitas vezes o tratamento não pode ser apenas local (cirurgia ou radioterapia), e eventualmente eles não são nem necessários ou indicados. Pois, dependendo do caso, uma cirurgia pode inclusive atrasar o início do tratamento ideal.

É necessária avaliação pela oncologista para definição de tratamento sistêmico, isto é, que atue no corpo todo para controlar a doença.

Neurocirurgia: quando ela é indicada para Câncer Cerebral?

A cirurgia cerebral pode ser indicada para:

  • Diagnóstico (biópsia)
  • Controle de sintomas
  • Redução do volume tumoral
  • Segurança neurológica

Mas um ponto essencial:
a cirurgia deve ser planejada considerando o tratamento oncológico global.

A escolha do neurocirurgião experiente em tumores cerebrais e alinhado com oncologia faz diferença direta no resultado do tratamento do Câncer Cerebral.

Tumores benignos do cérebro: nem toda lesão é câncer

Diversas lesões cerebrais são benignas, como:

  • Meningiomas
  • Adenomas hipofisários
  • Schwannomas
  • Lesões inflamatórias ou vasculares

Muitas apresentam crescimento lento e podem ser apenas acompanhadas, dependendo do caso.

Tumores malignos primários do cérebro: os principais tipos

Gliomas: o grupo mais relevante

Os gliomas são tumores que se originam das células gliais do sistema nervoso central e representam os principais tumores primários malignos cerebrais.

Eles são classificados por grau e características moleculares.

Gliomas de baixo grau

  • Astrocitoma de baixo grau
  • Oligodendroglioma

Costumam ter crescimento mais lento e evolução mais prolongada, especialmente quando diagnosticados precocemente e com avaliação molecular adequada.

O oligodendroglioma, por exemplo, possui características moleculares específicas (como codeleção 1p/19q) que impactam diretamente na escolha terapêutica.

Gliomas de alto grau

  • Glioblastoma
  • Astrocitoma de alto grau

São tumores mais agressivos, que exigem abordagem especializada, multimodal e altamente individualizada.

Após anos sem grandes avanços terapêuticos, a neuro-oncologia vem passando por um novo momento de evolução científica, com novas estratégias terapêuticas surgindo — especialmente em gliomas de baixo grau.

A importância das análises moleculares

Hoje, o diagnóstico do tumor cerebral não depende apenas da aparência no microscópio.

É fundamental preservar material cirúrgico para:

  • IDH
  • 1p/19q
  • MGMT
  • Perfil molecular completo

Essas análises definem:

  • Prognóstico
  • Tratamento
  • Estratégia terapêutica personalizada

Uma ressecção sem planejamento molecular pode comprometer decisões futuras.

Uma mensagem final

A neuro-oncologia evoluiu de forma significativa nas últimas décadas.
Hoje sabemos que tumores cerebrais não são todos iguais — e justamente por isso, o tratamento precisa ser individualizado.

Diagnóstico correto, equipe especializada e avaliação oncológica desde o início podem transformar completamente o caminho do paciente.

Mesmo diante de diagnósticos complexos, existem possibilidades terapêuticas cada vez mais precisas, seguras e baseadas em ciência.

Cuidar desde o início, com direção e presença médica especializada, não é apenas uma escolha técnica — é uma estratégia que protege tempo, tratamento e qualidade de vida.

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