
Receber a informação de que existe um nódulo no cérebro gera, naturalmente, medo e muitas dúvidas.
Mas é fundamental entender um ponto essencial, de forma clara e sem alarmismo:
Nem todo nódulo cerebral é câncer cerebral.
E, quando falamos em câncer no cérebro, nem sempre ele começou no cérebro.
De forma geral, na prática clínica:
- A maioria das lesões cerebrais malignas em adultos são vindas de outros órgãos
- Uma parcela menor corresponde a tumores primários do cérebro
- Na maioria dos casos, os tumores são benignos, que não são câncer
Em linguagem simples:
O cérebro pode ter lesões benignas, tumores malignos que nasceram ali, ou tumores que vieram de outro local do corpo.
Ou seja: encontrar um nódulo no cérebro não significa automaticamente um diagnóstico de câncer agressivo.
O primeiro passo é entender a origem dessa lesão com avaliação especializada e estratégia diagnóstica adequada desde o início.
Qual é o médico que trata câncer cerebral?
O tratamento de Câncer Cerebral exige atuação conjunta, mas o oncologista clínico tem papel central desde o início da investigação — muitas vezes antes mesmo da cirurgia.
Sou a Dra. Fernanda Telles, médica oncologista com vasta experiência em oncologia torácica, gastrointestinal e tumores do sistema nervoso central.
Minha formação e atuação incluem:
- Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- Atuação em um dos maiores centros oncológicos privados da América Latina
- Experiência em tumores cerebrais no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (RJ)
- Quase 10 anos acompanhando pacientes oncológicos complexos desde o diagnóstico
Além disso, tive experiência em pulmão ao lado de um dos maiores especialistas do mundo na área, o que reforça minha visão integrada — especialmente importante quando há suspeita de metástase cerebral.
Na prática, meu papel com o Câncer Cerebral começa antes da cirurgia, ajudando a responder perguntas fundamentais:
- Essa lesão é primária do cérebro ou metástase?
- Existe necessidade de cirurgia imediata?
- A cirurgia é realmente necessária?
- Qual o melhor tipo de ressecção?
- Que análises moleculares precisam ser solicitadas na cirurgia?
Uma decisão inicial inadequada pode impactar todo o tratamento.

O que significa “tumor primário” do cérebro?
Tumor primário é aquele que se origina no próprio cérebro, e não veio de outro órgão, na maior parte das vezes são Gliomas.
Isso é diferente das metástases cerebrais, que acontecem quando um câncer do corpo (como pulmão, mama ou rim) se espalha para o cérebro.
Essa distinção é essencial porque:
- O tratamento é completamente diferente
- O prognóstico é diferente
- A estratégia cirúrgica muda
- A necessidade de tratamento sistêmico também muda
Por isso, a avaliação oncológica especializada deve acontecer antes de qualquer intervenção.
Metástases cerebrais: comuns na prática clínica
A maioria dos casos de Câncer Cerebral, são lesões malignas cerebrais não nascem no cérebro. Elas chegam até ele.
Os tumores que mais causam metástases cerebrais são:
- Câncer de pulmão
- Câncer de mama
- Melanoma
- Câncer renal
- Câncer colorretal
Em linguagem simples: se é metástase, significa que a doença já circulou pelo corpo.
Por isso, muitas vezes o tratamento não pode ser apenas local (cirurgia ou radioterapia), e eventualmente eles não são nem necessários ou indicados. Pois, dependendo do caso, uma cirurgia pode inclusive atrasar o início do tratamento ideal.
É necessária avaliação pela oncologista para definição de tratamento sistêmico, isto é, que atue no corpo todo para controlar a doença.
Neurocirurgia: quando ela é indicada para Câncer Cerebral?

A cirurgia cerebral pode ser indicada para:
- Diagnóstico (biópsia)
- Controle de sintomas
- Redução do volume tumoral
- Segurança neurológica
Mas um ponto essencial:
a cirurgia deve ser planejada considerando o tratamento oncológico global.
A escolha do neurocirurgião experiente em tumores cerebrais e alinhado com oncologia faz diferença direta no resultado do tratamento do Câncer Cerebral.
Tumores benignos do cérebro: nem toda lesão é câncer
Diversas lesões cerebrais são benignas, como:
- Meningiomas
- Adenomas hipofisários
- Schwannomas
- Lesões inflamatórias ou vasculares
Muitas apresentam crescimento lento e podem ser apenas acompanhadas, dependendo do caso.
Tumores malignos primários do cérebro: os principais tipos
Gliomas: o grupo mais relevante
Os gliomas são tumores que se originam das células gliais do sistema nervoso central e representam os principais tumores primários malignos cerebrais.
Eles são classificados por grau e características moleculares.
Gliomas de baixo grau
- Astrocitoma de baixo grau
- Oligodendroglioma
Costumam ter crescimento mais lento e evolução mais prolongada, especialmente quando diagnosticados precocemente e com avaliação molecular adequada.
O oligodendroglioma, por exemplo, possui características moleculares específicas (como codeleção 1p/19q) que impactam diretamente na escolha terapêutica.
Gliomas de alto grau
- Glioblastoma
- Astrocitoma de alto grau
São tumores mais agressivos, que exigem abordagem especializada, multimodal e altamente individualizada.
Após anos sem grandes avanços terapêuticos, a neuro-oncologia vem passando por um novo momento de evolução científica, com novas estratégias terapêuticas surgindo — especialmente em gliomas de baixo grau.
A importância das análises moleculares
Hoje, o diagnóstico do tumor cerebral não depende apenas da aparência no microscópio.
É fundamental preservar material cirúrgico para:
- IDH
- 1p/19q
- MGMT
- Perfil molecular completo
Essas análises definem:
- Prognóstico
- Tratamento
- Estratégia terapêutica personalizada
Uma ressecção sem planejamento molecular pode comprometer decisões futuras.
Uma mensagem final
A neuro-oncologia evoluiu de forma significativa nas últimas décadas.
Hoje sabemos que tumores cerebrais não são todos iguais — e justamente por isso, o tratamento precisa ser individualizado.
Diagnóstico correto, equipe especializada e avaliação oncológica desde o início podem transformar completamente o caminho do paciente.
Mesmo diante de diagnósticos complexos, existem possibilidades terapêuticas cada vez mais precisas, seguras e baseadas em ciência.
Cuidar desde o início, com direção e presença médica especializada, não é apenas uma escolha técnica — é uma estratégia que protege tempo, tratamento e qualidade de vida.
