Dra. Fernanda Telles – Oncologia Clínica, Praia de Botafogo, Rio de Janeiro – RJ


Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão ainda é uma das doenças que mais geram medo, muitas vezes por falta de informação clara e atualizada.


A oncologia, no entanto, evoluiu de forma impressionante nos últimos anos — e hoje entender a doença desde o início muda decisões, tratamentos e resultados.

E sim, ele pode ter cura em muitos casos.

Um ponto essencial precisa ficar claro logo de início: câncer de pulmão não é uma doença única.
Existem vários tipos, com comportamentos diferentes, que exigem abordagens individualizadas.

Qual é a médica do câncer de pulmão?


Essa é uma pergunta fundamental — e que, na prática, pode mudar completamente o desfecho.

Sou Dra. Fernanda Telles, oncologista clínica com atuação focada em oncologia torácica e integrante do corpo clínico de um dos maiores grupos de oncologia privada da América Latina. Ao longo da minha prática, acompanho com frequência pacientes que chegam ao consultório após decisões equivocadas logo no início da investigação de um nódulo pulmonar.

Minha formação inclui residência em Oncologia Clínica pelo INCA, além de experiência contínua no cuidado de pacientes com câncer de pulmão desde o início da minha trajetória, com formação ao lado de um dos maiores especialistas do mundo na área.

Na prática, meu trabalho começa antes do tratamento — e, muitas vezes, antes mesmo da biópsia.

É nessa fase inicial que decisões mal direcionadas podem gerar:

  • atrasos no diagnóstico
  • exames repetidos
  • procedimentos desnecessários
  • e, em alguns casos, perda de oportunidade terapêutica

A consulta oncológica nesse momento não é para “adiantar tratamento”.

É para organizar o caminho certo.

O que é câncer de pulmão?


O câncer de pulmão surge quando células do pulmão passam a crescer de forma descontrolada, formando um tumor que pode permanecer localizado ou se espalhar para outras partes do corpo.

Apesar de ser uma das neoplasias mais frequentes no mundo, não existe um único “câncer de pulmão”, e sim um grupo de doenças diferentes agrupadas sob o mesmo nome.

E o prognóstico, isto é, chances de cura e agressividade da doença dependem muito das características específicas de cada subtipo.

Câncer de pulmão não é tudo igual


Hoje falamos em heterogeneidade do câncer de pulmão, ou seja:

  • tumores biologicamente distintos
  • comportamentos diferentes
  • respostas variadas aos tratamentos

> Principais subtipos

– Câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC)

Representa cerca de 80–85% dos casos.

Inclui:

  • Adenocarcinoma
  • Carcinoma escamoso
  • Outros subtipos menos comuns

– Câncer de pulmão de pequenas células (CPPC)

Tipo menos frequente, porém mais agressivo, com crescimento rápido e abordagem terapêutica distinta.

Identificar corretamente o subtipo define todo o tratamento.

Adenocarcinoma e os Drivers Moleculares


Uma das maiores revoluções da oncologia torácica foi a descoberta dos drivers moleculares, alterações genéticas específicas que funcionam como motores do crescimento tumoral.

Esses drivers permitem o uso de terapias-alvo, medicamentos desenvolvidos para agir diretamente nessas alterações.

Entre os principais drivers avaliados hoje estão:

  • EGFR
  • ALK
  • ROS1
  • BRAF
  • MET
  • RET
  • KRAS

Sem uma biópsia bem planejada e material adequado, essas análises não são possíveis.

Imunoterapia: uma nova forma de tratar


A imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.

Sua indicação depende de:

  • tipo histológico
  • análises moleculares
  • estágio da doença
  • biomarcadores (como PD-L1)
  • condição clínica do paciente

Cada caso precisa ser avaliado de forma individual.

Fatores de Risco para Câncer de Pulmão


O principal fator de risco é o tabagismo, mas não é o único.

Outros fatores incluem:

  • exposição passiva ao cigarro
  • poluição ambiental
  • exposições ocupacionais
  • histórico familiar
  • doenças pulmonares prévias

Importante: Nem todo paciente com câncer de pulmão fumou.

Câncer de pulmão em quem nunca fumou


Cada vez mais observamos câncer de pulmão em:

  • mulheres
  • pacientes mais jovens
  • pessoas que nunca fumaram

Nesses casos, o adenocarcinoma é mais comum e frequentemente associado a mutações como EGFR, que permitem tratamentos-alvo eficazes.

Sintomas do câncer de pulmão


Em fases iniciais, o câncer de pulmão pode não causar sintomas.

Quando presentes, os mais comuns são:

  • tosse persistente
  • falta de ar
  • dor torácica
  • escarro com sangue
  • perda de peso
  • cansaço

Como o câncer de pulmão é diagnosticado?


O diagnóstico envolve:

  • tomografia de tórax
  • PET-CT
  • biópsia
  • análise anatomopatológica
  • testes moleculares

A biópsia não serve para confirmar câncer.
Ela precisa fornecer informações suficientes para orientar o tratamento.

Entenda melhor essa etapa no artigo :Nódulo Pulmonar: Tudo Que Você Precisa Saber

Rastreamento do câncer de pulmão


O rastreamento com tomografia de baixa dose é indicado para pessoas de alto risco.

Critérios mais utilizados:

  • idade entre 50 e 80 anos
  • histórico de tabagismo significativo
  • fumantes atuais ou ex-fumantes recentes

O rastreamento permite:

  • diagnóstico precoce
  • maior chance de cura
  • redução comprovada da mortalidade

A oncologia torácica evolui rapidamente


A oncologia torácica é uma das áreas mais dinâmicas da medicina.

Diretrizes como as da NCCN (National Comprehensive Cancer Network) passam por múltiplas atualizações ao longo do ano, acompanhando:

  • novos medicamentos
  • novos estudos clínicos
  • novas combinações terapêuticas

O que era padrão há poucos anos pode não ser o melhor hoje.

Por isso, especialização e atualização constante são essenciais.

Tratamentos do câncer de pulmão


O tratamento depende de:

  • tipo do tumor
  • estágio da doença
  • perfil molecular
  • condições clínicas do paciente

As principais estratégias incluem:

  • terapias-alvo
  • cirurgia
  • radioterapia
  • quimioterapia
  • imunoterapia

Conclusão


Hoje, falar em câncer de pulmão é falar de:

  • múltiplas doenças
  • múltiplos tratamentos
  • evolução científica constante

Diagnóstico bem planejado, tratamento individualizado e acompanhamento especializado mudam o caminho da doença — e os resultados.

Saiba Mais:

Como Escolher o Melhor Oncologista para você? 1

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