Dra. Fernanda Telles – Oncologia Clínica, Praia de Botafogo, Rio de Janeiro – RJ

Oncologia Oncologista Câncer

O tratamento do câncer nunca depende de um único profissional.

Embora o oncologista clínico seja responsável por coordenar o tratamento medicamentoso e integrar as diferentes etapas do cuidado, a melhor assistência acontece quando existe uma equipe multidisciplinar trabalhando de forma organizada e em constante comunicação.

Isso acontece porque o câncer não afeta apenas um órgão. O diagnóstico e o tratamento podem impactar a alimentação, a saúde emocional, a capacidade física, a rotina familiar, o trabalho e a qualidade de vida. Por isso, tratar o câncer significa cuidar da pessoa como um todo, e não apenas da doença.

Dependendo do tipo de câncer, do estágio da doença, do objetivo do tratamento e das necessidades de cada paciente, diferentes profissionais podem participar desse cuidado.

Como o oncologista clínico coordena a equipe multidisciplinar no tratamento do câncer

Entre eles estão:

  • Enfermeira navegadora
  • Nutricionista com experiência em oncologia
  • Psicóloga
  • Profissional de educação física
  • Dentista especializado em pacientes oncológicos
  • Especialista em cuidados paliativos
  • Cirurgião oncológico
  • Radio-oncologista (radioterapeuta)

Cada profissional exerce uma função específica e complementa o trabalho do oncologista clínico.

A enfermeira navegadora auxilia na organização da jornada do paciente, orienta sobre cada etapa do tratamento, facilita o acesso a exames e procedimentos e ajuda na identificação precoce de sintomas e efeitos colaterais.

A nutricionista especializada em oncologia atua na prevenção da perda de peso e de massa muscular, orienta adaptações alimentares durante a quimioterapia, imunoterapia, radioterapia ou cirurgia e contribui para que o paciente mantenha melhores condições clínicas ao longo do tratamento.

A psicóloga oferece suporte para o enfrentamento emocional do diagnóstico, ajudando pacientes e familiares a lidar com ansiedade, medo, mudanças na rotina e todas as incertezas que podem surgir durante essa fase.

O profissional de educação física também tem um papel cada vez mais importante. Hoje sabemos, com base em estudos científicos, que a prática de atividade física supervisionada pode reduzir fadiga, preservar força e massa muscular, melhorar a qualidade de vida e até estar associada a melhores resultados em diversos tipos de câncer.

O dentista especializado em pacientes oncológicos previne e trata complicações da cavidade oral, como mucosite, infecções e osteonecrose dos maxilares. Sua participação é especialmente importante em pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço ou ao uso de medicamentos que atuam no tecido ósseo.

O cirurgião oncológico é responsável pelo tratamento cirúrgico quando ele faz parte da melhor estratégia terapêutica. Entretanto, a oncologia evoluiu muito nos últimos anos e hoje sabemos que, em diversos tipos de câncer, operar imediatamente nem sempre é a melhor opção. Em muitos casos, realizar quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo ou radioterapia antes da cirurgia pode aumentar as chances de resposta ao tratamento, facilitar o procedimento cirúrgico e melhorar os resultados a longo prazo. Por isso, essas decisões são planejadas em conjunto entre o cirurgião e o oncologista clínico.

O radio-oncologista avalia a indicação da radioterapia, define a técnica mais adequada e integra esse tratamento ao planejamento global do paciente, sempre em discussão com os demais especialistas envolvidos.

Já o especialista em cuidados paliativos atua no controle de sintomas e na preservação da qualidade de vida. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os cuidados paliativos não são exclusivos do fim da vida. Eles podem ser iniciados desde o diagnóstico para aliviar dor, fadiga, falta de ar, náuseas e outros sintomas, além de oferecer suporte ao paciente e à família.

Nenhum desses profissionais substitui o oncologista clínico.

Da mesma forma, o oncologista clínico também não substitui os demais especialistas.

Seu papel é integrar todas essas informações, discutir as melhores evidências científicas, coordenar as diferentes etapas do tratamento e garantir que cada decisão seja tomada no momento certo. É essa visão global que permite construir um plano terapêutico personalizado para cada paciente.

Por isso, ao escolher um oncologista clínico, vale a pena conhecer também a equipe que trabalha ao seu lado. Quando diferentes profissionais atuam de forma coordenada, o tratamento tende a ser mais seguro, mais completo e mais humano, permitindo que o paciente receba não apenas o melhor tratamento para o câncer, mas também o melhor cuidado para a vida que continua acontecendo apesar do diagnóstico.

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